quarta-feira, outubro 6

Texto

A contaminação do ambiente
Com a explosão demográfica dos últimos tempos, a urbanização crescente e a retração dos campos e matas, a espécie humana vem ocasionando a lenta destruição da flora e da fauna. As zonas florestais como que se encolhem sobre a superfície terrestre, ao peso do asfalto e dos blocos de concreto que proliferam no expandir das cidades. Enquanto isso, ao contrário do papel purificador do ar atmosférico desempenhado pela vegetação, o homem, com as suas máquinas, suas indústrias pesadas, suas usinas nucleares e seus veículos, contamina cada vez mais o seu ambiente.
Inúmeras pesquisas têm revelado que nas grandes metrópoles, como Los Angeles, Nova Iorque, Chicago, Detroit, Londres, Tóquio e São Paulo, o índice de poluição do ar tem aumentado assustadoramente, condicionando uma incidência cada vez maior de doenças pulmonares e sistêmicas, com a consequente diminuição do tempo de vida médio dos indivíduos. Por vezes, a ameaça à segurança das populações se torna alarmante. Foi o que aconteceu numa usina nuclear da Pensilvânia, na Ilha das Três Milhas, em 28 de março de 1978, quando teve lugar um escapamento de gases radioativos para a atmosfera e a formação de uma grande bolha de hidrogênio numa das câmaras da usina, pondo em risco a integridade dos habitantes de uma vasta área dos Estados Unidos. Durante vários dias, a opinião pública mundial se voltou para o acidente da usina de Three Miles Island. O mesmo drama ainda voltaria a se repetir, em proporções já então catastróficas, alguns anos depois, em Tchernobyl, na União Soviética.
Muitas indústrias lançam seus detritos e produtos tóxicos nos rios e mares, ocasionando a morte de peixes, de algas e do plâncton indispensável à cadeia alimentar dos ecossistemas aquáticos. O uso imoderado de detergentes não-biodegradáveis, isto é, que não se destroem pela ação de microrganismos, vem contaminando as águas e provocando o extermínio da flora e da fauna dos rios e mares. Isso não sucedia antes, com o uso dos sabões comuns, feitos de gordura animal ou vegetal.
Na agricultura, a utilização indiscriminada, por parte dos lavradores, de inseticidas e pesticidas extremamente tóxicos, como o DDT e o BHC, frequentemente lançados por aviões sobre as lavouras, leva à assimilação de tais produtos pelas plantas. Como estas são utilizadas na alimentação humana, transferem para o homem uma razoável quantidade, por efeito acumulativo, desses venenos.
Na poeira radioativa que existe na atmosfera, proveniente das experiências com armas estratégicas das grandes potências, encontra-se o estrôncio-90, radioisótopo cuja vida média é de aproximadamente 30 anos. Nesse período, ele se precipita para o solo, é incorporado pelas plantas, e como estas servem de pasto ao gado bovino, o elemento radioativo passa ao organismo dos animais. Através do leite, o estrôncio-90 chega ao homem. Como é um competidor do cálcio, vai-se localizar nos ossos, onde permanecerá por toda a vida do indivíduo, emitindo radiações ionizantes. Ele tem sido, por isso, incriminado como um dos fatores cancerígenos mais comuns.

José Luís Soares. *O rastro da vida*: uma pequena história de bilhões de anos. São Paulo, Moderna, 1990. p. (90-91.)

ENTENDIMENTO DO TEXTO

1. Qual a ideia central do texto ?
2. Cite alguns dos problemas ambientais de que o texto trata.
3. Onde esses problemas aparecem de forma mais aguda?
4. O texto cita um exemplo de acidente que ameaça assustadoramente a segurança das populações. Qual o acidente mencionado? Quando aconteceu e onde?
5. O texto fala ainda de uma repetição desse tipo de acidente, em outro local. Onde?
6. O progresso e a maior facilidade para a realização de tarefas domésticas trouxe um sensível prejuízo à flora e à fauna dos rios e mares. Qual o agente causador dessa agressão? Explique.
7. E na agricultura, quais os principais agentes poluidores citados no texto?
8. Um elemento poluidor é mencionado como fator altamente cancerígeno. Qual é e onde se encontra?
9.As informações do texto são baseadas em hipóteses ou em fatos reais? Justifique sua resposta.

Trabalhando com texto

Amor
Outro dia liguei o rádio e ouvi que faziam um concurso entre os ouvintes procurando uma definição para amor. As respostas eram muito ruins, até dava para se pensar que nem ouvintes nem locutores entendiam nada de amor realmente; o lugar-comum é mesmo o refúgio universal, que livra de pensar e dá, a quem o usa, a impressão de que mergulha a colher na gamela da sabedoria coletiva e comunga das verdades eternas. O que aliás pode ser verdade.
Mas a ideia de definição me ficou na cabeça e resolvi perguntar por minha conta. Tive muitas respostas. A impressão geral que me ficou do inquérito é que de amor entendem mais os velhos do que os moços, ao contrário do que seria de imaginar. E menos os profissionais que os amadores __ digo os amadores da arte de viver, propriamente, e os profissionais do ensino da vida. Vamos ver:
Dona Alda, que já fez bodas de ouro, diz que o amor é principalmente paciência. Indaguei: e tolerância? Ela disse que tolerância é apenas paciência com um pouco de antipatia. E diz que amor é também companhia e amizade. E saudade? Não, saudade não: saudade se tem das pessoas, das alegrias das coisas da mocidade, da infância dos filhos. Mas do amor? Não. Afinal, o amor não vai embora. Apenas envelhece, como a gente.
A jovem recém-casada me diz que amor é principalmente materialismo. Todos os sonhos das meninas estão errados. Aquelas coisas que se leem nos livros da Coleção das Moças, aqueles devaneios e idealismos e renúncias e purezas, está tudo errado. Quando a gente casa é que vê que o amor não passa de materialismo.
Teresinha de Jesus, às vésperas de botar no mundo o seu filho de mãe solteira, responde: "Amor”? É iludimento. No começo é dançar, tomar Coca-Cola com pinga, ganhar corte de pano e caixa de pó-de-arroz. Depois é a barriga e todo mundo apontando, e o camarada sumido".
Semana que vem vai para a maternidade. Quem quiser lhe falar de amor venha, que ela tem uma resposta. Mas impublicável.
Um senhor quarentão, bem-casado, pai de filhos: "Amor, como se entende em geral, é coisa da juventude; Depois de uma certa idade, amor é mais costume. É verdade que tem a paixão com os seus perigos. Mas você falou em amor e não em paixão, não foi?"
___ E de paixão, que me diz? __ Aí ele se fecha em copas. "Deixo isso para os jovens. Velhote apaixonado é fogo. E eu não passo de um pai de família."
A mãe da família desse senhor: "Amor? Bem, tem amor de noiva, que é quase só castelos e tolice. Tem o de jovem casada, que é também muita tolice __ mas sem castelos. Complicado com ciúme, etc., mas já inclui algum elemento mais sério. E tem o amor do casamento, que é a realidade da vida puxada a dois. Agora, o amor de mãe... Você perguntou também o amor de mãe?"
Respondi energicamente que não; amor de mãe, não. Quero saber só de amor de homem com mulher, amor propriamente dito.
Diz o solteiro, quase solteirão, que se imagina irresistível e incasável: "Amor é perigo. Só é bom com mulher sem compromissos. Com moça donzela dá em noivado, com mulher casada dá em tragédia. O melhor é amor forte e curto, que embriaga enquanto dura e não tem tempo para se complicar. Aquela história de marinheiro com um amor em cada porto tem o seu brilho, tem o seu brilho".
O pastor protestante diz que o amor é sublimar a atração entre os dois seres, é atingir a mais alta e pura das emoções. Não confundir amor com sexo! E perguntado -__ sendo assim, por que casam os pastores? Ele responde citando São Paulo: "Porque é melhor casar do que arder".
Já o padre católico não elimina o sexo do amor. Explica que, pelo contrário, o sexo, no amor, é tão importante como os seus demais componentes -- o altruísmo, a fidelidade, a capacidade de sacrifício, a ausência do egoísmo. E é tão importante que, para santificar o amor sexual __ o amor conjugal __ a Igreja o põe sob a guarda de um sacramento, o santo matrimônio. E ante a pergunta: se tudo é assim tão santo, por que os padres não casam? O padre velho não se importa com a impertinência, sorri: "Nós nos demos a um amor mais alto. Casamento, para nós, seria pior que bigamia..."
E por último tem a matrona sossegada que explica: "Amor? Amor é uma coisa que dói dentro do peito. Dói devagarinho, quentinho, confortável. É a mão que vem da cama vizinha, de noite, e segura na sua, adormecida. E você prefere ficar com o braço gelado e dormente a puxar a sua mão e cortar aquele contato, tão precioso ele é. Amor é ter medo -- medo de quase tudo -- da morte, da doença, do desencontro, da fadiga, do costume, das novidades. Amor pode ser uma rosa e pode ser um bife, um beijo, uma colher de xarope. Mas o que o amor é, principalmente, são duas pessoas neste mundo".
(Rachel de Queiroz. *O caçador de tatu*. 2. ed. São Paulo, Siciliano, 1994. p. 39-41.)

ENTENDIMENTO DO TEXTO
1. O que despertou a curiosidade da narradora, levando-a a conversar com tantas pessoas?
2. Que tipos de pessoas foram entrevistados pela narradora?
3. Na sua opinião, por que a narradora procurou ouvir pessoas tão diferentes?
4. Se você fosse entrevistado, o que diria sobre o amor?
5. Vejamos as opiniões de alguns entrevistados, em relação ao amor.
a) O que diz Dona Alda?
b) E a jovem recém-casada?
c) E o solteirão?
6. Quem disse:
a) que o amor é coisa que dói dentro do peito
b) que o amor está vinculado ao sexo?
c) que o amor é atração entre dois seres, a mais alta e pura das emoções
d) que o amor de noiva é tolice, quase só castelos?
e) que o amor é coisa da juventude?
“Amar é mudar a alma de casa” (Mario Quintana)

segunda-feira, setembro 27

TEXTO

A INCAPACIDADE DE SER VERDADEIRO

Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.
A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias.
Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:
— Não há nada a fazer, Dona Coló. Esse menino é mesmo um caso de poesia.

(Carlos Drummond de Andrade. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: Record,1994)

Estudo do texto

01.O conto de Drummond começa com uma afirmativa sobre um personagem.
a)Quem é o personagem?
b)O personagem citado é o personagem principal do conto? Por quê?
c)Qual é a afirmativa feita sobre ele?

02.Sobre essa afirmativa:
a) A mãe do menino concorda com ela? Como sabemos disso?
b) O médico concorda com a afirmativa? Como sabemos disso?
03. O menino conta três casos. Esses casos falam de coisas e pessoas que existem na vida real, a vida que todos vivemos. Falam também de coisas fantásticas, coisas que só existem na imaginação.
a)Qual é o primeiro caso que ele conta?

b)Qual é a terceira história contada pelo menino?
c)O que há de fantástico na terceira história?
04.Quando diz que os dragões - da independência cuspiam fogo pela boca o menino os aproxima do mundo fantástico.Por quê?

05.Essa história tem dois dados reais:um lugar e uma pessoa. Identifique-os.

06.Paulo parece um menino comum ,que vai a escola e que tem uma mãe cuidadosa .Paulo é considerado mentiroso .Por quê ? Explique.

terça-feira, agosto 24

Trabalhando com crônica

Dialogando com o texto
1.A crônica aborda um tema atual: os avanços da tecnologia.
a.Que informações você desconhecia e descobriu com a leitura do texto?_
b.Qual o ponto de vista apontado no texto em relação aos avanços tecnológicos?
2.O narrador –personagem inicia o texto referindo –se a fatos da sua infância.
a.A que ele se refere como “presente inesquecível”?
b.Quantos anos ele tinha e qual reação ao receber o presente?
3.Ao iniciar o curso,o narrador-personagem rapidamente aprende a usar as teclas da máquina de escrever.
a. Que expressões empregadas evidenciam essa agilidade?

b.Ele gostou muito de teclar a máquina .Que frase comprova esse sentimento do cronista?
4. A crônica também apresenta um momento glorioso vivenciado pelo narrador-personagem na 8.ª série.

a.Como ele se destaca dos seus colegas?
b.Que recursos linguísticos são empregados para ressaltar a sonoridade das teclas?O que eles sugerem ao leitor?
5. De acordo com a crônica, a máquina de escrever do momento é o celular.
a. O narrador-personagem se inclui no público usuário dessa máquina? A que público especificamente ele se refere?
b.Como ele se sente diante dessa “máquina de escrever”?
6.Na crônica são apresentados alguns argumentos que servem para justificar o ponto vista do narrador –personagem sobre o uso do celular.
a.Que argumento é utilizado para justificar a dificuldade em digitar as teclas do celular?
b.Ao explicar por que o celular possui poucas teclas, o narrador faz uma crítica implícita. O que ou quem é criticado? Por quê?
7. Na conclusão do texto reafirma-se que há um domínio do celular na atualidade. Com base no ultimo período do texto, podemos afirma que o narrador está apto a utilizar essa tecnologia?

sábado, agosto 21

Trabalhando com crônica


Da Olivetti ao torpedo


            Vai fazer 30 Natais que eu ganhei meu presente mais inesquecível. Não, não foi uma bicicleta. Foi uma máquina de escrever portátil Olivetti, modelo Lettera 22, verdinha. Vinha com uma tampa de plástico, que ao ser encaixada se transformava numa maleta. Mal abri o brinquedinho, já fui pedindo: "Quero fazer o curso".
            Alguém aí pode explicar o que leva uma criança de 10 anos a pedir um curso de datilografia para seus pais? Hoje em dia é evidente que eu seria encaminhado a um bom psicólogo infantil  __  mas naquele tempo meu pai me inscreveu num curso, e pronto. Eu era o único aluno que não estava interessado em procurar emprego de auxiliar de escritório. Mesmo sem força suficiente no mindinho esquerdo para dar conta da tecla "a", confesso que adorei. Foi amor ao primeiro asdfgçlkjh. Totalmente caxias, eu jamais olhava para as teclas. Rapidinho tornei-me um avião. Lá pelo fim do curso, fazia fácil 200 toques por minuto. Se não desse para ser escritor, já dava muito bem para ser escrivão.
            Na 8ª série, tive a felicidade de entrar para um colégio cujo currículo incluía... datilografia. Na aula inaugural, o professor pediu que todos os alunos batessem seus nomes à máquina. Deixei que a turma começasse: um "tlec" solitário aqui, um "tlec" sem convicção ali, outro "tlec" desafinado acolá.  Então respirei fundo. E mandei ver: ratatatatatatatatatatatatatatá! Todas as cabeças da sala se voltaram ao mesmo tempo na minha direção. Nunca mais viverei outro momento tão glorioso.
            Nunca mais, mesmo. Depois de reinar por de 100 anos, o teclado __ que foi inventado em 1880, não pela Olivetti, mas pela Remington __ está com os dias contados. A máquina de escrever das crianças de 10 anos deste século não é nem mesmo o computador: é o celular. Crianças e adolescentes passam horas travando diálogos por escrito, como se estivessem jogando videogame.
            Você já tentou escrever um torpedo no celular? Eu tentei. Semana passada, para ser mais preciso. As 26 letras do alfabeto se escondem em apenas 9 teclazinhas. Levei cinco minutos para digitar quatro palavras __ e estou até agora tentando achar onde fica o ponto de interrogação. Se você souber de algum curso de datilografia-em-telefone, por favor me avise.
            Os celulares possuem poucas teclas porque na verdade quem escreve neles não tem lá muito amor pelas letrinhas. Tudo é abreviado. As vogais somem. Os acentos vão pro beleléu. Além de aprender a digitar, você tem que reaprender a escrever.
            De nada adianta ter evoluído das Olivettis e Remingtons para os PCs e Macs, se a gente não conseguir agora se adaptar ao celular. Caso tudo o que os fabricantes prometem acabe um dia se realizando, o celular vai tomar o lugar do computador, da máquina fotográfica, do cartão de crédito, da carteira de identidade e da chave de casa. Isso, claro, para quem aprender a mexer nele. Se eu não consigo achar nem o ponto de interrogação, como eu vou descobrir a função que abre o portão da garagem?


Ricardo  Frerei.Revista Época ,Xongas, pág.122.Sao Paulo ,Globo 24 de novembro de 2003

sexta-feira, agosto 20

Viajar pela leitura


Viajar pela leitura
sem rumo, sem intenção.
Só para viver a aventura
que é ter um livro nas mãos.
É uma pena que só saiba disso
quem gosta de ler.
Experimente!
Assim sem compromisso,
você vai me entender.
Mergulhe de cabeça
na imaginação!
Clarice Pacheco

segunda-feira, agosto 2

Análise do texto

1. Qual a causa da renúncia de Irma ao seu emprego e ao amor de Teófilo?

2. Irma permite que Teófilo saiba de seu amor? Justifique sua resposta.

3. Decidida a se afastar de Teófilo, que faz Irma?

4. Apesar de tudo, seu amor não morre. O que Irma faz então para driblar as saudades?

5. Qual a reação de Teófilo aos misteriosos telefonemas?

6. O que faz Irma ao ser surpreendida pela polícia no meio da ligação?

7. O amor de Irma era correspondido? Justifique sua resposta.

8. Como você explica a atitude de Irma no final do conto, mesmo depois da declaração de Teófilo?

Texto

Nem sempre o amor entre duas pessoas caminha para um desfecho feliz. Observe o texto a seguir:

Alô Alô

Irma, mulher profundamente religiosa, apaixona-se por seu companheiro de trabalho Teófilo, que é ateu. Sabendo que não poderá jamais casar com um homem de quem está separada pelas barreiras da fé, decide afastar-se dele, sem revelar seus sentimentos. Pede demissão do emprego, muda-se para um bairro distante e entrega-se a uma existência ascética.
Sucedem-se os jejuns e as penitências.
Seu amor, porém, não morre, e Irma é atormentada por saudades. Todas as noites liga para Teófilo.
__ Pronto! -- é ele.
Irma calada.
__ Alô! Pronto!
Ouvindo a voz querida, Irma estremece de dor e de gozo.
__ Alô! Quem é que está falando? Responde!
Irma tapa o bocal com a mão e beija silenciosamente os nós dos dedos.
__ Fala, animal! Te identifica!
Irma contém um soluço, enquanto o telefone despeja palavrões. Finalmente, ela desliga.
Todas as noites é a mesma coisa. Teófilo está furioso. Já não come nem dorme, tamanha é sua raiva. E não sabe o que fazer.
A conselho de amigos solicita o auxílio da polícia. As investigações revelam que as chamadas partem do telefone de Irma. Teófilo é avisado para prevenir a delegacia tão logo receba o telefonema misterioso.
É o que faz.
Os policiais invadem o apartamento de Irma e a surpreendem, no meio da ligação, a beijar o dorso da mão magra. Alucinada, atira-se pela janela. Felizmente o edifício é baixo e ela sofre apenas escoriações. Depois de medicada é levada à delegacia.
Teófilo é chamado.
Ao ver Irma entre os policiais, grande é o seu espanto. E para surpresa de todos:
__ Mas eu te amava, Irma! -- grita. -- Eu te amava!
__ Vade retro, Satanás! __ responde ela chorando.
Os jornalistas presentes compreendem sua dor.

(Moacyr Scliar. *O carnaval dos animais*. Ediouro, s/d. p. 105-6.)

domingo, agosto 1

Atividade

Memórias Literárias

Memórias versus memória...
“A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la.”
Gabriel García Márques
1.O gênero memórias literárias...
a)Explora o ambiente em que o aluno vive.
b) Traz uma abordagem nostálgica da cidade.
c)Ajuda o indivíduo a planejar mudanças na cidade onde vive.
d)É um meio de articular o passado ao presente – a história de cada indivíduo traz em si a memória do grupo social a que pertence.

2.Resgatar as lembranças das pessoas mais velhas relacionadas ao lugar onde vivem é muito importante para:
a)Conhecer sua opiniões.
b)Constituir o sentimento de pertencer ao lugar onde vive
c.Saber com exatidão os acontecimentos ocorridos no lugar.
d)Respeitar todas as informações dos mais velhos.

3.No trabalho com memórias literárias, o aluno será colocado no lugar do pesquisador que busca recuperar a memória coletiva sua cidade por meio de:
a)Entrevista.
b)Pesquisa de livros
c)Observação de objetos contemporâneos.
d)Visita aos pontos turísticos da cidade.
4.Para marcar um “tempo de relembrar”, que é o tempo das memórias, o autor usa:
a)Os verbos no futuro.
b)Os verbos no pretérito per
feito, imperfeito e algumas palavras e expressões.
c )A descrição do espaço.
d)A evocação dos sentimentos e impressões.

5.Os autores evocam emoções, sentimentos, sensações quando discorrem sobre o tempo passado. Esse recurso é utilizado para:
a)    Convencer o leitor de sua opinião.
b)    b) Fazer uma reportagem sobre a cidade.
c)    Mobilizar, enredar e atrair o leitor.
d)    Revelar os costumes da época.

6.Ao escreverem memórias literárias, os autores recorrem....
a)Aos recursos de linguagem poética: rimas, aliterações e metáforas.
b)À ordenação de
fatos ao longo do tempo.
À descrição de um acontecimento que presenciaram.
d)À comparação entre o tempo antigo e o atual, evidenciando as di
ferenças e mudanças ocorridas.

7. Um texto de memória tem como objetivo resgatar o passado, com base em lembranças de depoimentos de alguém mais velho da comunidade. No momento da produção textual, o autor deve se colocar na posição do entrevistado, escrevendo em primeira pessoa.Isso significa que o texto deve...
a)Detalhar todas as informações ouvidas durante a entrevista.
b)Fazer uma reinterpretarão  das informações coletadas que resulte em um texto da natureza literária .

Referências: Caderno Na ponta do Lápis n ° 11; pág. 38 e Caderno Na ponta do Lápis n ° 9 ;pág. e 25.

Serra do Ramalho


  
Parque de Vaquejada
                                                                 Alguns anos atrás

Serra do Ramalho

Praça da Amizade
                                                            Alguns anos atrás

Serra do Ramalho


  

Serra do Ramalho

segunda-feira, julho 19

sexta-feira, julho 16

Poema

Tem tudo a ver
Elias José
A poesia
tem tudo a ver
com tua dor e alegrias,
com as cores, as formas, os cheiros,
os sabores e a música
do mundo.

A poesia
tem tudo a ver
com o sorriso da criança,
o diálogo dos namorados,
as lágrimas diante da morte,
os olhos pedindo pão.
A poesia
tem tudo a ver
com a plumagem, o voo,
e o canto dos pássaros,
a veloz acrobacia dos peixes,
as cores todas do arco-íris,
o ritmo dos rios e cachoeiras,
o brilho da lua, do sol e das estrelas,
a explosão em verde, em flores e frutos.

A poesia
― é só abrir os olhos e ver ―
tem tudo a ver
com tudo.
Segredinhos de amor. 2ª ed. São Paulo: Moderna, 2002

Memória Literária


Os automóveis invadem a cidade
Zélia Gattai
Naqueles tempos, a vida em São Paulo era tranquila. Poderia ser ainda mais, não fosse a invasão cada vez maior dos automóveis importados, circulando pelas ruas da cidade; grossos tubos, situados nas laterais externas dos carros, desprendiam, em violentas explosões, gases e fumaça escura. Estridentes fonfons de buzinas, assustando os distraídos, abriam passagem para alguns deslumbrados motoristas que, em suas desabaladas carreiras, infringiam as regras de trânsito, muitas vezes chegando ao abuso de alcançar mais de 20 quilômetros à hora, velocidade permitida somente nas estradas. Fora esse detalhe, o do trânsito, a cidade crescia mansamente. Não havia surgido ainda a febre dos edifícios altos; nem mesmo o “Prédio Martinelli” - arranha-céu pioneiro em São Paulo, se não me engano do Brasil - fora ainda construído. Não existia rádio, e televisão, nem em sonhos. Não se curtia som em aparelhos de alta-fidelidade. Ouvia-se música em gramofones de tromba e manivela. Havia tempo para tudo, ninguém se afobava, ninguém andava depressa. Não se abreviavam com siglas os nomes completos das pessoas e das coisas em geral. Para que isso? Por que o uso de siglas? Podia-se dizer e ler tranquilamente tudo, por mais longo que fosse o nome por extenso - sem criar equívocos - e ainda sobrava tempo para ênfase, se necessário fosse.
Os divertimentos, existentes então, acessíveis a uma família de poucos recursos como a nossa, eram poucos. Os valores daqueles idos, comparados aos de hoje, no entanto, eram outros; as mais mínimas coisas, os menores acontecimentos, tomavam corpo, adquiriam enorme importância. Nossa vida simples era rica, alegre e sadia. A imaginação voando solta, transformando tudo em festa, nenhuma barreira a impedir meus sonhos, o riso aberto e franco. Os divertimentos, como já disse, eram poucos, porém suficientes para encher o nosso mundo.
Anarquistas, graças a Deus. 11a ed. Rio de Janeiro: Record, 1986.